O Campeonato Brasileiro de 2026 começará sob um marco inédito: nunca houve tantos clubes mandando jogos em gramado sintético na elite do futebol nacional. Serão seis equipes utilizando a grama artificial ao longo da temporada, o que projeta mais de 100 partidas nesse tipo de piso — um salto expressivo em relação aos últimos anos.
Segundo levantamento recorrente na imprensa esportiva, entre 2023 e 2025 o número de jogos disputados em gramado sintético não passou da casa das seis dezenas. Em 2026, a estimativa chega a cerca de 110 confrontos, impulsionada pela manutenção do modelo por clubes já adeptos e pela chegada de novos representantes à Série A.
Quem aposta no sintético
Atlético-MG, Botafogo e Palmeiras seguem utilizando a grama artificial, repetindo a escolha feita na temporada anterior. Nenhum dos clubes rebaixados em 2025 — Fortaleza, Ceará, Juventude e Sport — adotava esse tipo de piso, o que manteve o contingente de usuários entre os que permaneceram na elite.
Entre os promovidos, Athletico-PR e Chapecoense também jogam em estádios com gramado sintético, reforçando o grupo. Já o Vasco firmou acordo com o Botafogo para mandar parte de seus jogos no Estádio Nilton Santos enquanto São Januário passa por reformas, previstas para começar no primeiro semestre de 2026.
Debate ganha força nos bastidores
O avanço do sintético mantém acesa uma das discussões mais sensíveis do futebol brasileiro. O Flamengo lidera a oposição ao modelo e, em dezembro, apresentou formalmente uma proposta para banir o uso da grama artificial nas competições profissionais do país. O clube argumenta que há impacto na saúde dos atletas e desequilíbrio financeiro, já que os custos de manutenção diferem significativamente entre gramados naturais e artificiais.
Do outro lado, o Palmeiras, proprietário de um dos principais estádios com piso sintético do país, rebate as críticas. A presidente Leila Pereira afirma que o debate tem sido contaminado por rivalidades e informações distorcidas, posição que encontra eco em parte da imprensa e de dirigentes que defendem a durabilidade e a regularidade do campo artificial.
A polêmica se intensificou desde a chegada de Luiz Eduardo Baptista, o BAP, à presidência do Flamengo. Ele se tornou uma das vozes mais ativas contra o sintético, ampliando o embate político dentro do futebol nacional.
Enquanto isso, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem evitado se posicionar publicamente, mesmo com o crescimento do número de clubes usuários e a pressão de diferentes frentes por uma definição mais clara.
Primeira rodada já começa no artificial
O Brasileirão de 2026 abrirá a temporada com jogos em gramado sintético logo na rodada inaugural. Atlético-MG e Palmeiras se enfrentam na Arena MRV, em Belo Horizonte. No mesmo dia, a Chapecoense recebe o Santos na Arena Condá. O terceiro duelo ocorre no Nilton Santos, com Botafogo e Cruzeiro, fechando a sequência inicial de partidas disputadas sobre a grama artificial.
O cenário reforça que, gostem ou não os críticos, o gramado sintético deixou de ser exceção e passou a ocupar papel central no calendário do futebol brasileiro.