Um dia depois do governo anunciar que cumpriu a meta fiscal de 2025 com um rombo dentro do intervalo de tolerância – R$ 61,7 bilhões de déficit – o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Marcus Pestana, afirmou que a gastança desenfreada faz as pessoas pagarem uma “taxa de agiota” para seguir sustentando as contas públicas. A IFI é um órgão independente ligado ao Senado que analisa a fundo os resultados do governo e estima o andamento dos próximos anos – neste caso, um cenário nebuloso para o próximo presidente, independente de quem for eleito em outubro.
Em 2025, segundo os resultados divulgados nesta quinta (29) pelo Tesouro Nacional, o rombo foi 32% maior que o de 2024, quando chegou a R$ 42,9 bilhões. A expectativa do governo era zerar o rombo nas contas públicas, mas dentro do intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual previsto no arcabouço fiscal, levando a R$ 31 bilhões para cima ou para baixo.
No entanto, o governo excluiu do cálculo da meta diversos gastos como os precatórios (R$ 41,15 bilhões), o ressarcimento a aposentados e pensionistas vítimas da fraude do INSS (R$ 2,83 bilhões), projetos estratégicos de defesa (R$ 2,5 bilhões) e despesas temporárias de educação (R$ 2,2 bilhões). Esta contabilidade criativa levaria o rombo a R$ 79,65 bilhões.
“O governo, ao ficar no vermelho, precisa demandar empréstimos, crédito, e pressiona a taxa de juros [15%] que, por sua vez, chega a patamares que são os maiores do mundo, são taxas de agiota que a gente paga pela fragilidade fiscal por falta de consistência da nossa estrutura fiscal”, afirmou Pestana em entrevista à GloboNews nesta sexta (30).