A piscicultura brasileira, especialmente em São Paulo, pode passar por mudanças relevantes a partir de 2026. No início de fevereiro, a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) levou ao governo paulista um pedido formal para suspender a importação de filé de tilápia do Vietnã, citando riscos sanitários e concorrência considerada desigual com a produção nacional.
O principal ponto de atenção é o Tilapia Lake Virus (TiLV), patógeno identificado em diversos países produtores da Ásia, África e América Latina, associado a altas taxas de mortalidade em plantéis de tilápia. De acordo com estudos científicos e relatos da imprensa especializada, o vírus afeta tanto sistemas intensivos quanto extensivos de criação, causando prejuízos econômicos expressivos onde se instala. Em São Paulo, não há registro da presença do TiLV, o que reforça a preocupação do setor com a entrada do patógeno por meio de produtos importados.
Durante a reunião com o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Mello Filho, representantes da Peixe BR destacaram que a medida teria caráter preventivo, alinhada ao princípio da biosseguridade aquícola. Santa Catarina já adotou decisão semelhante, proibindo a comercialização de tilápia de origem vietnamita justamente por precaução sanitária, iniciativa frequentemente citada como referência por entidades do setor.
Além do aspecto sanitário, a entidade também chamou atenção para a assimetria tributária que impacta a competitividade da piscicultura paulista. Enquanto a tilápia produzida no Brasil está sujeita à cobrança de ICMS — tanto na produção local quanto no comércio interestadual —, o filé importado do Vietnã entra no mercado com isenção total do imposto. Na prática, isso reduz o preço do produto estrangeiro e pressiona a margem de produtores e indústrias nacionais.
Segundo análises do setor, esse cenário pode resultar em fechamento de plantas frigoríficas, redução de empregos e retração de investimentos, especialmente em um estado que ocupa a segunda posição no ranking nacional de produção de tilápia, atrás apenas do Paraná. A cadeia produtiva paulista envolve milhares de produtores, cooperativas e indústrias, com impacto direto na economia regional.
A expectativa da piscicultura é que São Paulo avance em 2026 com medidas semelhantes às já adotadas por Santa Catarina, restringindo a importação de tilápia vietnamita. Para o setor, a combinação de controle sanitário mais rigoroso e revisão das regras tributárias é vista como essencial para proteger os plantéis locais, preservar a sanidade aquícola e garantir condições mais equilibradas de concorrência no mercado brasileiro.