Em Juiz de Fora, choveu cerca de 80% da média mensal em apenas sete horas. Já em Ubá, o acumulado chegou a 170 mm em pouco mais de três horas; o rio local atingiu 7,82 metros e transbordou. Segundo o Corpo de Bombeiros, ao menos 28 pessoas morreram nas duas cidades e mais de 40 estão desaparecidas.
Morador da região da Beira Rio, em Ubá, o gerente de e-commerce Lucas Gandra recebeu o alerta pouco depois da meia-noite. “Em minutos a água transbordou e o estrago foi enorme”, contou. Ele descreve cenas de desespero, com pessoas presas dentro de casa pedindo socorro. “Nunca vi nada assim.”
A dentista Carolina Magalhães acordou com o aviso de uma vizinha e teve poucos minutos para tirar o carro. “A água subiu muito rápido. Pensei em pegar documentos e subir. Foi aterrador.” Ela registrou geladeiras, botijões, carros e até caminhões sendo levados pela correnteza.
Em Juiz de Fora, a gerente de vendas Isabela Lourenço relata impacto generalizado. “Não foi pontual. Há familiares desalojados e bairros inteiros em risco.” A prefeitura decretou calamidade pública; ao menos 20 imóveis foram soterrados, e cerca de 440 pessoas ficaram desabrigadas, acolhidas em escolas municipais.
Com a água baixando, o cenário é de limpeza e prejuízo. “Parece uma zona de guerra”, resume Gandra, que teve o comércio destruído e as vendas suspensas. A médica Marcela Barbosa diz que mal reconheceu Ubá ao retornar do plantão: “Tudo interditado, lama por toda parte.”
O que causou a tempestade
De acordo com a meteorologista Maria Clara Sassaki, da Tempo OK Meteorologia, a tragédia foi resultado da combinação de uma frente fria, um cavado (área de baixa pressão) e a formação de uma supercélula — tipo raro e severo de tempestade. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, supercélulas podem gerar chuvas extremas, ventos fortes, granizo, enchentes e descargas elétricas.
Enquanto cidades tentam se reerguer, moradores se apoiam na solidariedade. “O material a gente reconstrói. O mais importante é estar vivo”, diz Gandra.