O complexo Sirius, instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), consolidou o Brasil entre os poucos países capazes de desenvolver e operar uma fonte de luz síncrotron de quarta geração, considerada uma das ferramentas científicas mais sofisticadas do planeta. Diferentemente dos aceleradores voltados para colisões de partículas, como o famoso LHC, na Suíça, o Sirius acelera elétrons a velocidades próximas à da luz para produzir uma radiação extremamente brilhante, utilizada para investigar a estrutura da matéria em níveis atômico e molecular.
A tecnologia permite que pesquisadores observem detalhes invisíveis a microscópios convencionais, contribuindo para estudos sobre proteínas, vírus, novos medicamentos, rochas, solos, materiais industriais, baterias, semicondutores e inúmeros outros campos da ciência. As análises são realizadas em linhas de luz — estações experimentais que funcionam como microscópios de altíssima precisão e recebem cientistas de universidades e centros de pesquisa do Brasil e do exterior. O uso acadêmico da infraestrutura é aberto mediante seleção de projetos científicos.
Além da complexidade tecnológica dos aceleradores, o prédio do Sirius foi projetado para atender exigências extremas de estabilidade. O complexo conta com rígido controle de temperatura, isolamento contra vibrações, piso especial de alta precisão, blindagem de concreto e um anel de armazenamento com cerca de 518 metros de circunferência. Essas características garantem a estabilidade necessária para produzir feixes de luz síncrotron de altíssimo brilho, colocando o Brasil em posição de destaque na pesquisa científica internacional e fortalecendo o desenvolvimento de tecnologias estratégicas para diversas áreas da economia e da inovação.