Uma retomada indígena em Guaíra, em uma área próxima ao Parque do Lago, mobilizou diferentes forças de segurança e terminou com duas pessoas detidas neste sábado (8). A CGN teve acesso ao relatório de ocorrências do 19º Batalhão da Polícia Militar, que apresenta a versão policial sobre a ação.
Segundo o material analisado pela CGN, equipes da Polícia Militar, com apoio da Guarda Municipal, foram acionadas para verificar a ocupação de uma área particular na região central da cidade.
O proprietário apresentou documentos do imóvel e solicitou apoio das autoridades. A Polícia Federal e o comando do 19º BPM também foram comunicados.
Além da 4ª Companhia da PM, participaram da ação equipes do Choque do 14º BPM, BPFron e Guarda Municipal.
Conforme o relatório policial, aproximadamente oito adultos e diversas crianças estavam na área.
O grupo se identificou como pertencente às comunidades indígenas Tekoha Jevy e Mirim e afirmou que a ocupação fazia parte de uma retomada territorial.
Segundo a PM, a área não estaria incluída no RCID citado no boletim.
A Polícia Militar informou que tentou negociar a saída voluntária do grupo.
Ainda segundo o relatório, os ocupantes se recusaram a deixar o local e houve resistência durante a ação. A PM afirma que foram utilizados paus, flechas, facão, enxada e estilingues contra as equipes.
Diante da situação, os policiais utilizaram munição de elastômero e granadas de luz e som.
Duas pessoas foram detidas e encaminhadas à Delegacia de Polícia Civil de Guaíra. Materiais apreendidos também foram levados à unidade policial.
Apesar de a ocorrência ter sido registrada pela Polícia Militar como esbulho possessório, os indígenas afirmaram que se tratava de uma retomada territorial.
O caso envolve, portanto, uma disputa que vai além da ocorrência policial e deve ser analisada também sob o ponto de vista territorial e indígena.
A CGN busca esclarecimentos da Funai, do Ministério Público Federal, da Polícia Federal, das comunidades indígenas citadas e dos responsáveis pelo imóvel.
Cabe destacar que o registro da ocorrência não significa confirmação de irregularidade ou culpa dos envolvidos. O caso ainda será analisado pelas autoridades. A CGN mantém o espaço aberto para manifestação dos citados e dos órgãos envolvidos.