Trump amplia cota de importação de carne bovina para tentar reduzir preços nos Estados Unidos

Medida permitirá entrada adicional de até 300 mil toneladas de carne e pode abrir novas oportunidades para países exportadores, entre eles o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (26) uma medida que amplia temporariamente a quantidade de carne bovina que poderá entrar no país dentro de uma cota tarifária reduzida. A decisão tem como objetivo aumentar a oferta no mercado norte-americano e conter os preços da carne, que permanecem em níveis elevados.

De acordo com documento divulgado pela Casa Branca, serão acrescentadas 300 mil toneladas de aparas magras de carne bovina à cota de importação de 2026. O volume será dividido em três etapas de até 100 mil toneladas cada: a primeira entre 1º e 30 de setembro, a segunda durante outubro e a terceira entre 31 de outubro e 30 de novembro. 

Esse tipo de carne é utilizado principalmente na fabricação de carne moída e hambúrgueres. Na prática, os produtos incluídos na nova cota poderão entrar nos Estados Unidos utilizando a tarifa aplicável dentro da cota, mais baixa do que a cobrança destinada às importações que excedem os limites normalmente estabelecidos. 

Preço da carne preocupa governo norte-americano

A decisão ocorre em um momento de oferta restrita de gado nos Estados Unidos. A combinação de períodos prolongados de seca, aumento dos custos de alimentação dos animais e redução do rebanho fez os preços da carne atingirem níveis históricos.

Dados divulgados anteriormente pela Casa Branca apontam que o rebanho bovino norte-americano iniciou 2026 com cerca de 86,2 milhões de cabeças, um dos menores patamares registrados em décadas. O preço médio da carne moída também chegou a níveis recordes. 

Trump afirma que a ampliação das importações poderá contribuir para reduzir em até 25% determinados preços ao consumidor. Economistas, entretanto, ponderam que uma queda dessa proporção não é garantida, já que o preço final depende também de custos de processamento, transporte, distribuição e margens do varejo. 

Produtores americanos criticam decisão

A medida provocou reação de entidades que representam pecuaristas nos Estados Unidos. Grupos do setor alegam que o aumento temporário das importações pode pressionar o preço pago aos produtores justamente em um momento em que a pecuária norte-americana tenta recompor seu rebanho.

A American Farm Bureau Federation e outras organizações do setor manifestaram preocupação com os possíveis impactos sobre os pecuaristas locais. O governo norte-americano, por outro lado, argumenta que a medida é temporária e necessária para equilibrar oferta e demanda. 

Brasil pode acompanhar medida de perto

A mudança também chama atenção do agronegócio brasileiro. O Brasil é atualmente um dos principais fornecedores de carne bovina aos Estados Unidos e, entre janeiro e julho de 2026, embarcou 233,8 mil toneladas ao mercado norte-americano, crescimento de 17,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes.

A nova cota anunciada pelo governo americano foi destinada à categoria denominada “outros países ou áreas” e será distribuída por ordem de chegada entre fornecedores habilitados. Por isso, a medida pode representar uma oportunidade adicional para exportadores brasileiros, embora o volume efetivamente destinado ao Brasil dependa das regras comerciais aplicáveis, da habilitação dos frigoríficos e da concorrência com fornecedores de outros países. 

Para regiões com forte participação do agronegócio, como o Oeste do Paraná, a decisão merece acompanhamento porque mudanças no fluxo internacional de carne bovina podem influenciar exportações, demanda por proteína animal e a dinâmica do mercado agropecuário.

 
FONTE: Band News