Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo e mira mercado dominado pela China

Minerais estratégicos são usados em veículos elétricos, turbinas, eletrônicos e equipamentos de defesa; desafio brasileiro é transformar a riqueza mineral em tecnologia e indústria de alto valor agregado

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O Brasil ocupa uma posição de destaque em uma das disputas econômicas e tecnológicas mais importantes da atualidade: a exploração e o processamento das chamadas terras raras. O país possui a segunda maior reserva mundial conhecida, atrás apenas da China.

As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos utilizados em diversas tecnologias modernas. Elas estão presentes na fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e, principalmente, em ímãs permanentes de alta potência.

Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente raros na natureza. A dificuldade está em encontrar depósitos economicamente viáveis e, principalmente, em separar, refinar e transformar esses minerais em produtos de alto valor tecnológico.

China domina as etapas mais valiosas do setor

Mesmo com o potencial brasileiro, a China ainda exerce ampla liderança mundial nessa cadeia produtiva. O país asiático responde por aproximadamente 60% da produção mundial de terras raras, entre 85% e 90% do refino e cerca de 90% da fabricação de ímãs permanentes de neodímio-ferro-boro, utilizados em aplicações tecnológicas avançadas.

Isso significa que possuir grandes jazidas é apenas uma parte do negócio. O maior valor econômico aparece nas etapas posteriores: separação dos elementos, produção de óxidos, metais, ligas e, finalmente, fabricação dos superímãs utilizados pela indústria.

Brasil já possui produção comercial

Atualmente, a Mineração Serra Verde, localizada em Minaçu, Goiás, é a única operação brasileira com produção comercial de terras raras. A atividade começou em janeiro de 2024, com capacidade inicial próxima de 5 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras, e há previsão de expansão nos próximos anos.

Outros projetos estão avançando no país. A região de Poços de Caldas, em Minas Gerais, concentra iniciativas importantes e é considerada uma das áreas mais promissoras para a exploração desses minerais.

Potencial existe, mas autonomia pode levar anos

O principal desafio do Brasil é desenvolver capacidade própria de separação, refino e fabricação de ímãs. Especialistas avaliam que o país possui conhecimento científico e recursos humanos para avançar nessa cadeia, mas a criação de uma indústria completa exige investimento, infraestrutura, domínio tecnológico e cuidados ambientais.

A construção dessa autonomia poderá levar vários anos. Entre os obstáculos estão a complexidade do beneficiamento dos minerais, os custos logísticos, os impactos ambientais e a necessidade de estabelecer mercados para os produtos brasileiros.

Câmara aprovou política nacional para minerais estratégicos

O tema também avançou no Congresso Nacional. Em 6 de maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

A proposta prevê incentivos para projetos de processamento e transformação desses minerais dentro do Brasil, além de mecanismos destinados a estimular investimentos no setor. O texto aprovado seguiu para análise do Senado.

Um dos objetivos é evitar que o país fique limitado à exportação da matéria-prima e passe a participar das etapas industriais que concentram maior valor econômico e tecnológico.

Uma riqueza que ganhou importância geopolítica

Terras raras e outros minerais críticos passaram a ocupar espaço estratégico nas relações internacionais porque estão diretamente relacionados à transição energética, produção de semicondutores, equipamentos militares, baterias e tecnologias avançadas.

Estados Unidos, China, União Europeia e outras economias buscam garantir fornecedores e reduzir dependências externas. Nesse cenário, o Brasil aparece como um dos países com maior potencial para ganhar espaço no mercado global.

O país dispõe de uma das maiores reservas conhecidas do planeta. O desafio agora é conseguir transformar o mineral encontrado no solo em tecnologia, indústria e produtos de maior valor, disputando espaço em um mercado atualmente concentrado nas mãos da China.

 


FONTE: G1
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