Após 13 anos lutando contra câncer, brasileiro alcança remissão completa com terapia CAR-T pelo SUS

Caso de Paulo Peregrino ganhou repercussão nacional após tratamento experimental modificar as próprias células de defesa do paciente; tecnologia brasileira segue avançando em estudos para ampliar o acesso pelo sistema público

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Depois de enfrentar o câncer por cerca de 13 anos, passar por diversas sessões de quimioterapia e por transplante de medula óssea, Paulo Peregrino alcançou a remissão completa de um linfoma não-Hodgkin de células B após ser submetido a uma terapia experimental com células CAR-T. O tratamento foi realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dentro de um projeto desenvolvido pelo Hemocentro de Ribeirão Preto e pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantan. O próprio Hemocentro confirmou oficialmente o caso em 2023. 

A CAR-T é uma forma de imunoterapia personalizada. Nela, linfócitos T — células responsáveis pela defesa do organismo — são retirados do paciente e modificados em laboratório para que consigam reconhecer determinadas células cancerígenas. Posteriormente, essas células são devolvidas ao organismo para combater o tumor. Segundo informações atualizadas do Hemocentro de Ribeirão Preto, a tecnologia nacional é estudada principalmente para pacientes com leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não-Hodgkin de células B que não responderam aos tratamentos convencionais. 

Paulo estava entre os primeiros pacientes submetidos ao procedimento. Dados divulgados pelo Hemocentro na época indicavam que os 14 primeiros pacientes tratados apresentaram pelo menos 60% de redução dos tumores. Posteriormente, o programa informou taxas de remissão próximas de 80% em pacientes que já haviam esgotado outras alternativas terapêuticas. O resultado de Paulo chamou atenção porque exames realizados poucas semanas após o tratamento não mostravam mais sinais detectáveis do linfoma. 

Desde então, o projeto brasileiro avançou. Atualmente, o estudo clínico CARTHEDRALL já teve a segurança de sua primeira fase aprovada pela Anvisa e recebeu autorização para avançar para uma nova etapa. A pesquisa prevê o tratamento de 81 pacientes em cinco centros de referência no Brasil, com financiamento do Ministério da Saúde. Além disso, duas unidades do Núcleo de Terapia Avançada (Nutera) foram estruturadas em Ribeirão Preto e São Paulo, com capacidade projetada para chegar futuramente a até 300 pacientes por ano

Apesar dos resultados promissores, a CAR-T ainda não representa uma cura universal para o câncer, nem está disponível rotineiramente para todos os pacientes pelo SUS. A tecnologia permanece em estudos clínicos no projeto nacional, com critérios específicos para participação. O objetivo da parceria entre Hemocentro, USP e Instituto Butantan é desenvolver uma versão produzida no Brasil, reduzir os custos e viabilizar sua oferta gratuita e em maior escala no Sistema Único de Saúde. 

 


FONTE: Instituto Butantan
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