El Niño turbina furacão monstruoso no Pacífico
Fenômeno atinge categoria 5; Oeste do Paraná pode ter mais chuva nos próximos dias.
O furacão Polo entrou para a lista dos ciclones tropicais mais extremos já observados no Pacífico Leste depois de passar por uma intensificação impressionante na costa do México. Nesta terça-feira (22), o sistema alcançou a categoria 5, o nível máximo da escala Saffir-Simpson, com ventos sustentados de aproximadamente 285 km/h e pressão atmosférica central de apenas 892 hPa. Durante a madrugada e manhã desta quarta-feira (23), o ciclone apresentou alguma perda de força, mas continuava classificado como um furacão de grande intensidade, com ventos próximos de 250 km/h.
A velocidade com que Polo ganhou força chamou a atenção dos meteorologistas. Em apenas 24 horas, seus ventos aumentaram em aproximadamente 165 km/h, uma taxa de intensificação considerada extraordinária. Águas excepcionalmente quentes, grande quantidade de calor armazenada no oceano, elevada disponibilidade de umidade e pouco cisalhamento dos ventos criaram um ambiente extremamente favorável para a organização do ciclone. O furacão chegou a permanecer praticamente estacionário próximo à costa sudoeste do México, mantendo Guerrero e Michoacán sob risco de chuva intensa, inundações e deslizamentos.
O episódio ocorre em meio ao fortalecimento do El Niño no Oceano Pacífico. O fenômeno não pode ser apontado isoladamente como responsável pela formação ou pela força de Polo, mas costuma favorecer uma temporada mais ativa de furacões no Pacífico Leste. Durante episódios de El Niño, alterações na circulação atmosférica podem reduzir o cisalhamento vertical dos ventos nessa região, criando condições mais favoráveis para que tempestades tropicais consigam se organizar e ganhar intensidade.
E o que isso significa para o Oeste do Paraná?
O furacão Polo não oferece risco direto ao Brasil e não deverá atingir o Paraná. A importância do episódio para a região está no contexto climático maior: o mesmo El Niño que modifica as condições atmosféricas do Pacífico também exerce forte influência sobre o regime de chuvas no Sul do Brasil. Para o Paraná, o Simepar prevê uma primavera com precipitação acima da média, temperaturas também acima da média e maior possibilidade de episódios de chuva intensa e temporais.
No curto prazo, porém, a situação no Oeste paranaense é mais tranquila. Em Palotina, a previsão atualizada do Simepar indica pequena possibilidade de chuva nesta quarta-feira (23), seguida por uma sequência predominantemente seca entre quinta-feira (24) e segunda-feira (28). Cenário semelhante aparece para municípios como Toledo, Cascavel, Entre Rios do Oeste e outras cidades da região. As temperaturas também devem subir gradualmente durante os próximos dias, marcando a transição para condições mais típicas da primavera.
A mudança mais significativa aparece na projeção para o começo da próxima semana. Na atualização desta quarta-feira, o modelo do Simepar indica retorno da chuva em Palotina na terça-feira (29), com possibilidade de aproximadamente 20 milímetros, enquanto a quarta-feira (30) pode ter volumes próximos de 38 milímetros. Também aparecem rajadas de vento próximas ou superiores a 50 km/h. Como se trata de uma previsão com vários dias de antecedência, os volumes e o horário das instabilidades ainda podem sofrer alterações.
A tendência para os próximos meses merece atenção especial. O Simepar projeta chuvas acima da média durante toda a primavera, com o Oeste, Sudoeste e Centro-Sul entre as áreas que podem apresentar os maiores desvios em relação à climatologia. Em novembro, a diferença em relação à média tende a ser maior no Oeste, Sudoeste e Centro-Sul, enquanto dezembro poderá ter destaque principalmente na faixa oeste do Estado. O El Niño deve atingir seu período de maior intensidade justamente entre a primavera de 2026 e o verão de 2026/2027.
Com temperaturas mais elevadas e maior disponibilidade de umidade, cresce também a quantidade de energia disponível para tempestades. Isso significa que, mesmo durante períodos de vários dias de sol e calor, mudanças rápidas no tempo poderão ocorrer ao longo da estação, com possibilidade de chuva volumosa em curto intervalo de tempo, descargas elétricas, rajadas fortes de vento e episódios localizados de granizo.