Uma estratégia inovadora de combate à dengue começou a ser aplicada em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais do Paraná. Desde o dia 20 de outubro, mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia estão sendo soltos em diferentes regiões da cidade. A iniciativa faz parte de uma parceria entre a Prefeitura, o Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a empresa Wolbito do Brasil. A liberação será realizada gradualmente durante 26 semanas, em aproximadamente 5,3 mil pontos do município.
O chamado Método Wolbachia utiliza uma bactéria que reduz a capacidade do mosquito de transmitir vírus como os da dengue, zika e chikungunya. Quando os insetos liberados se reproduzem com os mosquitos presentes no ambiente, a bactéria pode ser transmitida às próximas gerações, formando gradualmente uma população com menor potencial de transmissão dessas doenças. A tecnologia já apresentou resultados positivos em outras cidades brasileiras. Em Niterói, no Rio de Janeiro, por exemplo, a prefeitura de Ponta Grossa destaca uma redução de 89% nos casos de dengue nas áreas contempladas pela estratégia.
Para ampliar a iniciativa, Ponta Grossa também inaugurou uma biofábrica destinada à preparação dos mosquitos, desde o desenvolvimento dos ovos até a fase adulta. Os insetos são posteriormente distribuídos em pontos estratégicos da cidade, incluindo o Centro e bairros como Uvaranas, Oficinas, Cará-Cará, Contorno, Chapada e Ronda. Apesar da inovação, as autoridades de saúde reforçam que a população deve continuar eliminando recipientes com água parada, já que o combate aos criadouros permanece fundamental para prevenir a dengue.