Guerra no Irã entra em nova fase após morte do líder supremo; conflito se expande pelo Oriente Médio

Regime iraniano perde líder máximo em operação surpresa; Teerã promete vingança ilimitada e conflito entra em fase de alta perigosidade

03/03/2026 00h50 - Atualizado há 1 semana

Teerã, 3 de março de 2026 — O Irã vive seu momento mais crítico desde a Revolução Islâmica de 1979. Após oito meses de tensões crescentes, uma ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel transformou o cenário político e militar do país persa, culminando na morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo há mais de três décadas, e abrindo um capítulo de incertezas profundas para o regime teocrático.


A escalada: do "cessar-fogo ilimitado" à ofensiva total


A história recente do conflito remonta a junho de 2025, quando Israel lançou a "Operação Leão Ascendente" contra instalações nucleares iranianas. Na época, o presidente americano Donald Trump interveve brevemente, declarando um cessar-fogo "que duraria para sempre". A promessa, no entanto, não resistiu às acusações mútuas de violações da trégua.
Entre uma guerra de 12 dias e outra, o Irã mergulhou em uma crise econômica devastadora. A inflação superou 40% ao ano, o rial iraniano perdeu metade de seu valor frente ao dólar em 2025, e protestos massivos eclodiram em dezembro, exigindo o fim do comando clerical.

A resposta do regime foi implacável: pelo menos 600 manifestantes morreram sob repressão da Guarda Revolucionária.


O ataque decisivo: decapitação da liderança


Na madrugada de sábado, 28 de fevereiro, enquanto negociadores iranianos e americanos — mediados por Omã — relatavam "progressos significativos" nas conversas nucleares, EUA e Israel desencadearam uma operação surpresa de proporções históricas.
O resultado foi uma verdadeira decapitação da cúpula do poder iraniano:
•  Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo, morto em seu escritório
•  Amir Nasirzadeh, ministro da Defesa
•  Abdolrahim Mousavi, chefe do Estado-Maior
•  Mohammad Pakpour, comandante da Guarda Revolucionária
•  Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente


O número de mortos no Irã já supera 555, segundo o Crescente Vermelho Iraniano, incluindo 165 crianças em uma escola primária feminina.


Irã sem líder: o que vem agora?


Com a morte de Khamenei, o aiatolá Alireza Arafi assumiu interinamente o posto de líder supremo e preside um conselho encarregado de escolher um novo dirigente permanente. A transição ocorre em meio a uma guerra em curso, com Trump afirmando que as operações são "massivas e contínuas" e devem durar "quatro a cinco semanas".
O regime, no entanto, recusa-se a capitular. O secretário de Segurança iraniano desmentiu declarações de Trump sobre disposição para negociar, afirmando que a prioridade é "defender a pátria". O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, foi categórico: "Não há limitação. Responderemos na mesma medida dos ataques sofridos".


Conflito se regionaliza: de Israel ao Golfo Pérsico


A guerra deixou de ser bilateral. Na segunda-feira (2), o Irã lançou mísseis contra bases americanas no Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, além de Israel. Quatro militares americanos morreram e cinco ficaram gravemente feridos.
O Hezbollah, principal aliado do Irã no Líbano, disparou projéteis contra Israel "em vingança" pela morte de Khamenei, provocando uma onda de ataques israelenses em Beirute que matou pelo menos 31 pessoas. Israel não descarta uma operação terrestre.
Até mesmo aliados dos EUA no Golfo foram atingidos: três caças americanos foram abatidos por engano pelas defesas aéreas do Kuwait, um hotel de luxo pegou fogo em Dubai, e a refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita, foi atingida por drones iranianos.


Risco nuclear global?


O cenário alarma especialistas. Pela primeira vez, duas potências nucleares (EUA e Israel) atacam diretamente um país que busca desenvolver capacidade atômica. Embora a Rússia — aliada do Irã e também potência nuclear — esteja impedida de intervir ativamente pela guerra na Ucrânia, e a China tenha sinalizado neutralidade, o debate sobre uma escalada atômica ganhou nova urgência.
A destruição de instalações nucleares iranianas e o fim de tratados internacionais de não proliferação reacendem temores de uma corrida armamentista descontrolada no Oriente Médio.
Economia mundial em alerta
O conflito já reverbera globalmente. Grandes aeroportos de Dubai, Abu Dhabi e Doha — hubs cruciais para a aviação internacional — tiveram voos suspensos. Companhias aéreas como Emirates, Etihad e Qatar Airways paralisaram operações. Milhares de viajantes ficaram retidos.
O mercado de petróleo reage com volatilidade extrema. A interrupção de rotas marítimas no Golfo Pérsico ameaça o comércio global de energia.


O que esperar?


Trump afirma que a "grande onda" de ataques "ainda nem chegou", enquanto autoridades iranianas prometem retaliação ilimitada. Com a liderança do Irã desestruturada, a economia em colapso e o conflito se espalhando por múltiplas frentes, o Oriente Médio mergulha em sua crise mais perigosa das últimas décadas.
A pergunta que domina análises diplomáticas é: sem Khamenei, o Irã caminha para uma transição negociada ou para um enfrentamento prolongado que pode reconfigurar o mapa político da região?


Com informações de agências internacionais e correspondentes no Oriente Médio

 


FONTE: Redação
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