A alta repentina no preço do petróleo nesta semana acendeu um alerta no mundo todo sobre possíveis impactos da guerra no Oriente Médio na economia global.
Ataques a refinarias e instalações petrolíferas em países como Irã, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Catar, além do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — aumentaram as preocupações com o abastecimento.
A tensão aumentou ainda mais na quarta-feira (11), quando três navios foram atingidos por “projéteis desconhecidos” no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta.
No início da semana, o barril do petróleo Brent saltou de menos de US$ 90 para cerca de US$ 120. Depois de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que o conflito pode terminar em breve, o preço voltou a cair e se estabilizou perto dos US$ 90.
Mesmo assim, economistas ainda não sabem dizer se a alta foi apenas um choque momentâneo ou se o petróleo passará a operar em um novo patamar mais alto.
Segundo analistas, se o barril se mantiver próximo de US$ 100 ou mais, o impacto pode ser maior, pressionando a inflação global, já que o petróleo é matéria-prima importante para vários setores da economia.
Diante da instabilidade, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas para compensar possíveis falhas no abastecimento. A decisão foi aprovada pelos 32 países membros da agência.
Gasolina pode subir no Brasil?
Um dos efeitos mais imediatos do conflito é o aumento dos combustíveis. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço da gasolina já subiu cerca de 11% na primeira semana da guerra, atingindo o maior nível em mais de um ano.
No Brasil, alguns estados já registram aumentos nos postos. Há relatos de reajustes de cerca de R$ 0,80 no litro do diesel e de R$ 0,30 na gasolina.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) pediu ao Cade que investigue esses aumentos, já que a Petrobras ainda não anunciou reajuste oficial.
Embora o Brasil produza petróleo suficiente, o país ainda depende parcialmente de importações de combustíveis refinados, o que faz com que oscilações no mercado internacional afetem os preços internos.
A Petrobras tem certa margem para segurar reajustes, mas especialistas dizem que, se o petróleo continuar subindo no mercado global, o repasse ao consumidor pode acabar acontecendo.
Impactos na inflação e nos juros
Caso o preço do petróleo permaneça alto por muito tempo, os efeitos podem ir além da gasolina, atingindo a inflação, os juros e até as contas públicas.
Estudos indicam que cada aumento de 10% no preço do petróleo pode elevar a inflação brasileira entre 0,25 e 0,40 ponto percentual.
Isso também pode influenciar decisões do Banco Central sobre os juros, que vinham sendo reduzidos diante da desaceleração da inflação.
Por outro lado, o Brasil também pode ter alguns ganhos com o petróleo mais caro, já que o produto se tornou o principal item de exportação do país e gera royalties para os cofres públicos.
Ainda assim, especialistas ressaltam que tudo depende da duração da guerra. Se a alta do petróleo for apenas temporária, os impactos devem ser limitados. Mas se o preço se manter elevado por mais tempo, os efeitos na economia podem ser maiores.