Violência que cala: mulher morta após agressões já relatava sofrimento em relacionamento abusivo

Áudio enviado a amiga revela ciclo de violência; caso reforça importância da denúncia e da busca por apoio na rede de proteção às mulheres

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Antes de morrer, a mulher brutalmente espancada com cerca de 80 socos pelo namorado chegou a enviar um áudio a uma amiga relatando o sofrimento dentro de um relacionamento abusivo. Alciele de Almeida Alencar, de 31 anos, desabafou: “Eu já sofri demais”.

 

Na mensagem, ela contou que já havia tentado se afastar diversas vezes, mas acabava retornando. “Todo mundo me pergunta por que eu continuo nisso. Eu já perdoei inúmeras vezes e também já mandei ele embora várias vezes”, disse. Alciele também relatou momentos de agressividade do companheiro, afirmando que ele “esquece de tudo” durante crises, inclusive dos filhos.

 

Com o passar do tempo e após conselhos de pessoas próximas, ela demonstrava sinais de conscientização sobre a situação. “Tá caindo a ficha, aos pouquinhos”, afirmou no áudio.

 

Alciele ficou internada por mais de dez dias após as agressões e teve a morte cerebral confirmada. O sepultamento ocorreu em Tomé-Açu, no Pará. Ela deixa quatro filhos.

 

De acordo com as informações, o agressor teria provocado a queda da vítima ao jogar a motocicleta contra outro veículo e, em seguida, passou a agredi-la com socos e chutes. Após o ataque, ele fugiu do local. A vítima foi socorrida com ferimentos graves e encaminhada ao Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, em Ananindeua. O suspeito segue preso.

 

 

Rede de apoio pode salvar vidas

 

 

Casos como esse reforçam a importância de buscar ajuda ao primeiro sinal de violência. Mulheres que enfrentam situações semelhantes podem procurar apoio em serviços como o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), Delegacias, Polícia Militar e demais órgãos que integram a rede de proteção.

 

Essas instituições oferecem acolhimento, orientação jurídica e encaminhamento para medidas de proteção, fundamentais para romper o ciclo de violência.

 

 

Denunciar é um passo essencial

 

 

A denúncia é uma ferramenta crucial para interromper a violência e responsabilizar os agressores. Informações podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque-Denúncia 181, além do 190 em situações de emergência.

 

Romper o silêncio pode salvar vidas. Buscar ajuda não é um sinal de fraqueza, mas um ato de coragem e proteção.

 


FONTE: Metrópole
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