A volta extrema da Artemis 2: como astronautas enfrentaram uma “bola de fogo” para retornar à Terra

Reentrada a mais de 40 mil km/h, calor de 2.700 °C e minutos de silêncio total marcaram o momento mais crítico da missão

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A volta extrema da Artemis 2: como astronautas enfrentaram uma “bola de fogo” para retornar à Terra
Nasa

Depois de viajar pela maior distância já percorrida pelo ser humano, os astronautas da missão Artemis 2 tiveram sucesso em uma das etapas mais perigosas da jornada: o retorno à Terra.

 

A cápsula Orion pousou no oceano Pacífico, próximo ao litoral de San Diego, no estado da Califórnia (EUA), por volta das 21h (horário de Brasília) desta sexta-feira (10/4).

 

“Na verdade, venho pensando na reentrada desde 3 de abril de 2023, quando fomos designados para esta missão”, declarou do espaço o piloto Victor Glover. “Ainda nem comecei a processar tudo o que aconteceu… e pilotar uma bola de fogo pela atmosfera é algo extremamente profundo.”

 

 

O retorno, passo a passo

 

 

No último dia completo no espaço, a tripulação iniciou os preparativos finais, revisando procedimentos de reentrada e pouso. Eles também vestiram roupas de compressão, essenciais para reduzir os efeitos da volta à gravidade.

 

Cerca de 20 minutos antes de atingir a atmosfera, o módulo de tripulação se separou do módulo de serviço. Em seguida, a cápsula se posicionou estrategicamente para que o escudo térmico absorvesse o impacto do calor extremo, protegendo os astronautas.

 

A entrada na atmosfera exigiu precisão quase absoluta: o ângulo correto tinha margem mínima de erro — cerca de um grau para mais ou para menos.

 

 

“Começa a diversão”

 

 

Segundo o diretor de voo Rick Henfling, o momento mais crítico começou a cerca de 122 km de altitude. Durante a descida, o escudo térmico enfrentou temperaturas próximas de 2.700 °C — quase metade do calor da superfície do Sol.

 

Logo após a reentrada, a comunicação com a Terra foi interrompida por cerca de seis minutos. Isso ocorre porque o intenso aquecimento forma um plasma ao redor da cápsula, bloqueando os sinais de rádio.

 

Redução de velocidade e pouso

 

 

A Orion entrou na atmosfera a mais de 40 mil km/h. Para desacelerar, utilizou a própria resistência do ar como freio, em um processo comparado a um “tijolo voador”.

 

Diferentemente de veículos não tripulados, que podem suportar forças extremas, a cápsula tripulada realizou uma descida mais gradual, reduzindo o impacto da força G sobre os astronautas.

 

Na fase final, paraquedas foram acionados em sequência para estabilizar e diminuir ainda mais a velocidade, até o impacto controlado no oceano a cerca de 32 km/h.

 

Já na água, airbags infláveis garantiram que a cápsula permanecesse na posição correta, permitindo que a equipe de resgate realizasse a retirada segura dos tripulantes.

 


FONTE: BBC Brasil
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