Caracol raro entra na lista e Paraná passa a ter 345 espécies ameaçadas de extinção

Atualização da lista estadual inclui um molusco terrestre raro e reforça a necessidade de ações de conservação da biodiversidade paranaense.

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A lista oficial de espécies da fauna ameaçadas de extinção do Paraná foi ampliada e passou a contabilizar 345 espécies. A principal novidade é a inclusão, pela primeira vez, das avaliações de 252 espécies de moluscos, grupo que não havia sido contemplado na atualização anterior. Entre elas está o raro caracol terrestre Mirinaba curitybana, classificado como Criticamente em Perigo (CR), a categoria de maior risco antes da extinção na natureza. 

Os moluscos terrestres desempenham um papel ecológico fundamental, embora muitas vezes passem despercebidos. Estudos científicos apontam que esses animais atuam na decomposição da matéria orgânica, na ciclagem de nutrientes do solo e na dispersão de microrganismos e fungos, sendo importantes indicadores da qualidade ambiental. Por apresentarem baixa capacidade de deslocamento e elevada sensibilidade às alterações do habitat, são considerados excelentes bioindicadores dos impactos provocados pelo desmatamento, fragmentação florestal, poluição e mudanças climáticas. 

A inclusão das espécies resulta da conclusão das análises técnicas iniciadas durante a elaboração do novo Livro Vermelho da Fauna Ameaçada do Paraná, que avaliou milhares de espécies distribuídas em 15 grandes grupos zoológicos. Além do caracol Mirinaba curitybana, outras espécies de moluscos foram classificadas como Em Perigo, Vulneráveis e Quase Ameaçadas, enquanto muitas permaneceram na categoria “Dados Insuficientes”, evidenciando a necessidade de novas pesquisas sobre a biodiversidade paranaense. 

Segundo especialistas em conservação, listas vermelhas são instrumentos científicos fundamentais para orientar políticas públicas, criação de unidades de conservação, licenciamento ambiental e definição de prioridades para pesquisa e recuperação de espécies. O Paraná foi pioneiro no Brasil ao publicar, em 1995, a primeira lista regional de espécies ameaçadas, consolidando uma tradição de monitoramento da fauna que hoje serve de referência para outros estados. 

A atualização reforça que a proteção da biodiversidade depende da preservação dos remanescentes de Mata Atlântica, da recuperação de áreas degradadas e da ampliação do conhecimento científico sobre grupos pouco estudados, como os moluscos. Para pesquisadores, conhecer a distribuição e o estado de conservação dessas espécies é essencial para evitar perdas irreversíveis do patrimônio natural paranaense. 

 


FONTE: Instituto Água e Terra
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