Mais de 31 mil empresas deixam de operar como empregadoras na Argentina durante governo Milei

Queda ocorre enquanto o país registra crescimento do PIB e inflação mais controlada; comércio, indústria e transporte estão entre os setores pressionados

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A Argentina vive um cenário econômico marcado por indicadores que apontam em direções diferentes. Desde o fim de 2023 até junho deste ano, o país registrou uma redução líquida de 31.342 empregadores com funcionários registrados, número equivalente a aproximadamente 6% da base existente antes da posse do presidente Javier Milei. Os dados têm origem na Superintendência de Riscos do Trabalho e vêm sendo utilizados por centros de estudos para acompanhar a evolução das empresas no país. 

O movimento ocorre ao mesmo tempo em que alguns indicadores macroeconômicos apresentaram melhora. O Produto Interno Bruto argentino cresceu 2% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, embora tenha recuado 0,6% frente ao trimestre anterior. Em julho, o indicador mensal de atividade econômica caiu 1,4% na comparação anual e 2,9% em relação ao mês anterior, mostrando que a recuperação não ocorre de maneira uniforme. 

Entre as explicações apontadas para a redução no número de empregadores estão a perda de força do consumo interno, aumento dos custos de energia e outros serviços, dificuldades de financiamento e maior concorrência de produtos importados. Comércio, transporte, atividades imobiliárias e indústria aparecem entre os segmentos com maior redução de empresas. Já setores ligados à energia, mineração e produção agropecuária vêm apresentando desempenho diferente, beneficiados principalmente pelas exportações. 

O governo argentino e economistas alinhados às reformas econômicas contestam a interpretação de que os números representem, isoladamente, uma deterioração generalizada. Um dos argumentos é que parte dos empregadores que deixaram os registros possuía apenas um ou poucos funcionários e que a economia passa por uma mudança estrutural, com expansão de atividades voltadas à exportação. O próprio Milei reconheceu uma contração do emprego formal acompanhada de crescimento do trabalho informal. 

Os dados sociais também mostram um quadro misto. A taxa de desemprego ficou em 7,9% no segundo trimestre de 2026, enquanto 32,3% da população dos principais centros urbanos estava abaixo da linha da pobreza no primeiro semestre. A inflação mensal ficou em 1,7% em agosto, bem abaixo dos níveis observados no início do atual governo. 

 
FONTE: BBC News