Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que a empresa Entre Investimentos e Participações Ltda., ligada ao financiamento do filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), transferiu R$ 26.225.110,00 para a ACX ITC Serviços de Tecnologia Ltda. entre fevereiro e abril de 2025. As informações constam em um relatório da Operação Saturno, conduzida pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), divulgado pelo portal Metrópoles.
Segundo o relatório policial, a ACX ITC integra um grupo de empresas suspeitas de movimentar recursos de forma irregular e de participar de um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação também cita comunicações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que registraram movimentações financeiras expressivas envolvendo a empresa.
De acordo com a apuração, a ACX ITC está formalmente registrada em nome de um homem que afirmou à polícia ter atuado como “laranja” da empresa. Em depoimento, ele declarou ter recebido pagamento para figurar como proprietário do negócio, sem exercer qualquer atividade de gestão.
A investigação também aponta que a ACX ITC realizou pagamentos que somam cerca de R$ 1,3 milhão para empresas ligadas a ministros do Superior Tribunal Militar (STM) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O relatório, no entanto, não afirma que os magistrados sejam investigados ou tenham participado de qualquer irregularidade; o foco da apuração está na origem e na circulação dos recursos financeiros.
A Entre Investimentos é apontada como uma das empresas utilizadas para o envio de recursos destinados ao filme Dark Horse. Reportagens anteriores indicam que a companhia teria sido utilizada em operações relacionadas ao financiamento da produção cinematográfica, fato mencionado pelo senador Flávio Bolsonaro ao comentar a captação de recursos para o longa.
Diante da conexão da investigação com outros inquéritos em andamento, incluindo apurações conduzidas pela Polícia Federal, o caso foi remetido à Justiça Federal para evitar sobreposição de investigações e permitir análise conjunta dos fatos. Até o momento, as informações divulgadas correspondem às conclusões preliminares dos investigadores e não representam decisão judicial definitiva nem comprovam responsabilidade criminal dos envolvidos, que seguem amparados pelo direito ao contraditório e à ampla defesa.